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Dados do Trabalho


Título

MANEJO DE Bemisia tabaci (Genn.) (HEMIPTERA: ALEYRODIDAE) COM INSETICIDAS NA CULTURA DA SOJA

Introdução

INTRODUÇÃO
A mosca-branca, Bemisia tabaci (Genn.) (Hemiptera: Aleyrodidae) é considerada uma das mais importantes pragas da soja no Brasil, sendo esta oleaginosa uma de suas espécies hospedeiras preferenciais. Estudos conduzidos pela Universidade do Estado da
Bahia determinaram redução de 18,4% a 32,8% na produtividade entre cultivares de soja em Luís Eduardo Magalhães/BA, decorrente da alimentação de seiva por adultos e ninfas, além da manifestação severa de distúrbios fisiológicos e viroses transmitidas pelo inseto (QUEIROZ et al, 2014).
Segundo Moscardi et al. (2012) o nível de controle da praga na soja ainda é um desafio da pesquisa, que precisa ser mais bem estudado e, assim, melhor orientar o produtor sobre o momento apropriado de iniciar a aplicação de um inseticida.
Essa pesquisa teve como objetivo determinar a eficiência relativa de inseticidas registrados para o controle da mosca-branca em soja, e assim, contribuir com informações para o manejo mais eficiente desta praga.

Resumo

RESUMO
A pesquisa teve como objetivo avaliar a eficiência de inseticidas no controle de Bemisia tabaci na cultura da soja na safra 2019/20. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com 4 repetições e 14 tratamentos, em parcelas de 6 linhas de 10,0 m de comprimento, espaçadas em 0,5 m da cultivar M8349 IPRO. Foram realizadas duas aplicações dos inseticidas, espaçadas em 11 dias, com pulverizador pressurizado a CO2 e volume de calda de 150,0 L/ha. Foi quantificado em microscópio-estereoscópio o
número de ninfas vivas em 15 folíolos/parcela, coletados o terço médio das plantas em pré-spray, 7 e 11 dias após a primeira aplicação e aos 4, 10, 22 e 30 dias após a segunda aplicação. Os valores foram submetidos à análise de variância e comparação de médias por meio do teste de Scott-Knott (1974) a 5% de probabilidade, utilizando o programa SISVAR (FERREIRA, 1999), e a eficiência de controle calculada pela fórmula de Abbott (1925). Duas aplicações de acetamiprido + piriproxifem; dinotefuram + piriproxifem (1ª aplicação) e acetamiprido + piriproxifem (2ª aplicação); duas aplicações de piriproxifem; e acetamiprido + piriproxifem (1ª aplicação) e dinotefuram + piriproxifem (2ª aplicação) foram muito eficientes no controle da mosca-branca, conferindo entre 82,12% e 73,71% de controle no período dos 4-22 dias após a segunda aplicação.

Objetivos

Essa pesquisa teve como objetivo determinar a eficiência relativa de inseticidas registrados para o controle da
mosca-branca em soja, e assim, contribuir com informações para o manejo mais eficiente desta praga.

Material e Método

MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa foi conduzida na Estação Experimental da Círculo Verde Pesquisa, Luís Eduardo Magalhães/BA, de janeiro a março/2020, utilizando a cultivar M8349 IPRO. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com 4 repetições e 14
tratamentos em suas doses de ingrediente ativo por hectare: T1) Testemunha (sem aplicação); T2) acetamiprido (1ª aplic.= 60 g) e piriproxifem + acetamiprido (2ª aplic.= 25 g + 50 g); T3) piriproxifem (1ª e 2ª aplic.= 25 g); T4) piriproxifem (1ª aplic.= 25 g) e
piriproxifem + acetamiprido (2ª aplic.= 25 g + 50 g); T5) piriproxifem + acetamiprido (1ª e 2ª aplic.= 25 g + 50 g); T6) acetamiprido + piriproxifem (1ª aplic.= 40 g + 20 g) e piriproxifem (2ª aplic.= 25 g); T7) acetamiprido + piriproxifem (1ª e 2ª aplic.= 40 g + 20
g); T8) dinotefuram + piriproxifem (1ª aplic.= 75 g + 18,75 g) e acetamiprido + piriproxifem (2ª aplic.= 40 g + 20 g); T9) acetamiprido + piriproxifem (1ª aplic.= 40 g + 20 g) e dinotefuram + piriproxifem (2ª aplic.= 75 g + 18,75 g); T10) ciantraniliprole (1ª e 2ª
aplic.= 50 g); T11) ciantraniliprole (1ª aplic.= 50 g) e acetamiprido + piriproxifem (2ª aplic.= 40 g + 20 g); T12) acetamiprido + piriproxifem (1ª aplic.= 40 g + 20 g) e ciantraniliprole (2ª aplic.= 50 g); T13) acetamiprido + bifentrina + buprofezina (1ª aplic.=
62,5 g + 62,5 g + 87,5 g) e acetamiprido + bifentrina + piriproxifem (2ª aplic.= 62,5 g + 62,5 g + 25 g); T14) acetamiprido + bifentrina + piriproxifem (1ª aplic.= 62,5 g + 62,5 g + 25 g) e acetamiprido + bifentrina + buprofezina (2ª aplic.= 62,5 g + 62,5 g + 87,5 g).
Cada parcela foi constituída por 6 linhas de 10,0 m de comprimento, espaçadas em 0,5 m. Foram realizadas duas aplicações, espaçadas em 11 dias, utilizando pulverizador costal pressurizado a CO2, pontas Magnum 110015 e volume de calda de 150,0 L/ha.
As avaliações consistiram na quantificação do número de ninfas vivas em 15 folíolos/parcela, coletados aleatoriamente do terço médio das plantas. Os folíolos foram acondicionados em sacos papel e transportados em caixa de isopor ao laboratório para
quantificação em microscópio-estereoscópio. As avaliações foram realizadas em pré-spray, 7 e 11 dias após a primeira aplicação (DA1) e aos 4, 10, 22 e 30 dias após a segunda aplicação (DA2). Os valores foram submetidos à análise de variância e comparação de médias por meio do teste de Scott-Knott (1974) a 5% de probabilidade, utilizando o programa SISVAR (FERREIRA, 1999), e a eficiência de controle pela fórmula de Abbott (1925).

Resultados e discussão

RESULTADOS E DISCUSSÃO
A população média de mosca-branca nos tratamentos no momento de instalação do ensaio (avaliação Prévia) era de 8,92 ninfas/folíolo, com mínimo de 6,0 ninfas e máximo de 10,96 ninfas. Nas avaliações aos 7 e 11 dias após a primeira aplicação (DA1) houve um considerável aumento populacional na Testemunha (T1= sem aplicação), passando de 7,95 ninfas na Prévia para 19,66 ninfas aos 11 DA1, aumento de 2,47 vezes. Diferenças estatísticas entre os tratamentos ocorreu apenas no período sob efeito da segunda aplicação dos inseticidas (4-30 DA2) (Tabela 1).
Nas avaliações dos 4-22 dias após a segunda aplicação (DA2), a eficiência média de controle pela fórmula de Abbott (1925) foi de 82,12% para o tratamento T7 com duas aplicações de acetamiprido + piriproxifem (40 g + 20 g i.a./ha); 79,69% para T8 (1ª aplic.=
dinotefuram + piriproxifem; 2ª aplic.= acetamiprido + piriproxifem); 74,64% para T3 (1ª e 2ª aplic.= piriproxifem) e de 73,71% para T9 (1ª aplic.= acetamiprido + piriproxifem; 2ª aplic.= dinotefuram + piriproxifem). Os demais tratamentos apresentaram controle médio
inferior a 70,0% neste período.
Os tratamentos T13 e T14 foram os menos eficientes no manejo da mosca-branca, conferindo controle entre 24,39% e 45,25% no período dos 4-10 DA2, e população de ninfas/folíolo estatisticamente igual ou superior a Testemunha aos 22 e 30 DA2 (Tabela 1).
A ordem de aplicação dos inseticidas ciantraniliprole (50 g i.a./ha) e acetamiprido + piriproxifem (40 g + 20 g i.a./ha) (T11 e T12) influenciou no desempenho. Quando a primeira aplicação foi realizada com acetamiprido + piriproxifem a eficiência de controle
foi maior, de 68,48% no período dos 4-22 DA2, contra 48,14% na sequência inversa de aplicação dos inseticidas (T11). Já a ordem das aplicações de dinotefuram + piriproxifem e acetamiprido + piriproxifem (tratamentos T8 e T9) não influenciou no desempenho de
controle da praga, não diferindo estatisticamente na população de ninfas/folíolo em todas as avaliações após a 1ª e 2ª aplicação (Tabela 1), e eficiência média de controle pela fórmula de Abbott (1925) de 79,69% (T8) e 73,71% (T9) no período dos 4-22 DA2.
Os quatro tratamentos de melhor eficiência (T3, T7, T8 e T9) apresentam em comum o ingrediente ativo piriproxifem nas duas aplicações. Em três (T7, T8 e T9), o piriproxifem é formulado em mistura com um inseticida neonicotinóide (acetamiprido ou
dinotefuram). O uso do ciantraniliprole, uma diamida antranílica, no plano de manejo da mosca-branca (T12), eleva para três grupos químicos com ação sobre o inseto.
A adoção de produtos com diferentes mecanismos de ação, ligado ao uso racional, é uma estratégia que caracteriza o manejo de resistência de insetos aos inseticidas (SOSAGÓMEZ; OMOTO, 2012), e logo deve ser incentivado permanentemente.

Conclusões/Considerações Finais

CONCLUSÃO
Duas aplicações de acetamiprido + piriproxifem (Tratamento 7); dinotefuram + piriproxifem (1ª aplic.) e acetamiprido + piriproxifem (2ª aplic.) (Tratamento 8); duas aplicações de piriproxifem (Tratamento T3) e acetamiprido + piriproxifem (1ª aplic.) e dinotefuram + piriproxifem (2ª aplic.) (Tratamento 9) são muito eficientes no controle da mosca-branca.

Referências Bibliográficas

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Palavras Chave

Palavras-chave: Controle químico, Glycine max, Mosca-branca, Oeste da Bahia.

Arquivos

Área

Grupo I: Produção Agrícola (Vegetal)

Autores

JACKELYNE DE CASTRO OLIVEIRA, MARCO ANTONIO TAMAI, MÔNICA CAGNIN MARTINS, ÂNGELA BERNARDINO BARBOSA, GILVAN RODRIGUES DA SILVA, AUGUSTO JORGE CARDOZO CAETANO , AMANDA DE SOUZA SANTANA, FÁBIO CRUZ DA SILVA