Página Inicial » Inscrições Científicas » Trabalhos

Dados do Trabalho


Título

EFEITO DA MATURAÇAO E DE TRATAMENTOS FISICOS E QUIMICOS NA EMERGENCIA DE SEMENTES DE ROYSTONEA REGIA (KUNTH) O. F. COOK

Introdução

A espécie Roystonea regia (Kunth) O. F. Cook, popularmente conhecida como palmeira real, é uma palmeira de grande porte, muito utilizada no paisagismo brasileiro, de norte a sul. A propagação desta e da maioria das palmeiras é de forma sexuada, no entanto, de maneira geral, a germinação é lenta e desuniforme e influenciada por vários fatores, como estádio de maturação, presença ou não de pericarpo, tempo entre colheita e semeadura, dormência física, temperatura do ambiente e substrato, entre outros (BROSCHAT, 1994).
Quando uma semente viável é submetida a condições favoráveis para a sua germinação e não o faz, diz-se que esta se encontra em estado de dormência, a qual pode ser dividida em embrionária, devido à presença de inibidores de germinação, e extraembrionária, na qual as estruturas que envolvem o embrião (tegumento, pericarpo, endosperma e remanescentes de órgãos florais) exercem alguma resistência física, que o mesmo não consegue superar (BEWLEY; BLACK, 1994).
Por sua vez, quanto ao estádio de maturação em palmeiras, os melhores resultados têm sido obtidos com sementes provenientes de frutos maduros, sendo a germinação de sementes de frutos imaturos muito falha, podendo até não ocorrer, porque o endosperma se encontra ainda aquoso, não solidificado (LORENZI et al., 2004).
Assim, embora a palmeira real seja uma importante espécie comercializada para fins ornamentais, não há informações na literatura de estudos que relacionem o efeito do estádio de maturação do fruto e o uso de tratamentos físicos e químicos para a superação da dormência de suas sementes. As hipóteses testadas foram: a palmeira real possui tegumento impermeável a água e o uso de métodos físicos que exponham o embrião favorecem a entrada de água e a germinação; a palmeira real possui inibidores químicos e a lavagem e o uso de fitohormônios favorecem a germinação, e o estádio de maturação “maduro” (cor do epicarpo vinho-escuro) é o mais favorável.

Resumo

Em muitas espécies vegetais, o estádio de maturação dos frutos e a presença de inibidores, interferem na capacidade da semente de germinar e originar plântulas normais. O objetivo neste trabalho foi avaliar o estádio de maturação do fruto quanto a sua colheita e o uso de métodos físicos e químicos para a superação da dormência de sementes (diásporos) de Roystonea regia (palmeira real). O experimento foi realizado em Fernandópolis/SP, em um delineamento inteiramente casualizado em esquema fatorial 3 x 11, ou seja, 3 estádios de maturação (coloração do epicarpo do fruto verde-alaranjado, laranja-avermelhado e vinho-escuro) e 11 tratamentos para quebra de dormência (testemunha sem despolpa/fruto seco; testemunha apenas despolpada; sementes despolpadas e imersas em água por 3 e 5 dias; sementes despolpadas e escarificadas com lixa seguido de imersão em água por 3 dias; sementes despolpadas e escarificadas com ácido sulfúrico por 5 min seguido de lavagem; sementes despolpadas e imersas por 3 dias em 1000 e 2000 ppm de GA3 e de AIB e sementes despolpadas e imersas em KNO3 a 0,3% por 3 dias, com 4 repetições de 25 sementes. Concluiu-se que sementes provenientes de frutos verde-alaranjado apresentam maior porcentagem de emergência; sementes de frutos verde-alaranjado e laranja-avermelhado germinam mais rápido; o despolpamento e a lavagem, independentemente do estádio de maturação dos frutos, permitem uma maior porcentagem e velocidade de emergência das sementes de Roystonea regia.

Objetivos

O objetivo neste trabalho foi avaliar o efeito da colheita de frutos de palmeira real em três estádios de maturação e a eficiência de diferentes tratamentos pré-germinativos (físicos e químicos) para a superação da dormência da semente e posterior aceleração, uniformização e aumento na porcentagem de sua emergência.

Material e Método

O trabalho foi conduzido em casa de vegetação da Universidade Brasil, em Fernandópolis/SP. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial 3 x 11 (três estádios de maturação/coloração dos frutos e onze tratamentos para superação da dormência), com quatro repetições de 25 sementes.
Os frutos de palmeira-real foram colhidos no dia 10/01/2020 em três estádios de maturação – EM (coloração verde-alaranjada - VA, laranja-avermelhado - LA e vinho-escuro - VE) de várias matrizes localizadas no campus da universidade e que possuem 20 anos de idade. Os frutos permaneceram imersos por seis dias, com troca diária da água, quando foram despolpados em peneira e secadas à sombra durante 48 h.
Os seguintes tratamentos (T) foram realizados: (1) testemunha sem despolpa/fruto seco; (2) testemunha apenas despolpada e seca; (3 e 4) sementes despolpadas/seca e após imersas em água por 3 e por 5 dias; (5) sementes despolpadas/seca e escarificadas com lixa seguido de imersão em água por 3 dias; (6) sementes despolpadas/seca e escarificadas com ácido sulfúrico PA por 5 min seguido de lavagem; (7-8-9-10) sementes despolpadas/seca e imersas por 3 dias em 1000 e 2000 ppm de ácido giberélico (GA3) e de ácido indol butírico (AIB) e (11) sementes despolpadas/seca e imersas em nitrato de potássio (KNO3) a 0,3% por 3 dias.
A semeadura foi realizada em 24/01/2021 em caixas plásticas preenchidas com uma mistura de areia e substrato comercial esterilizados em autoclave a 120°C e irrigadas diariamente por 138 dias, quando houve uma estabilização na emergência e o experimento foi finalizado. Testes avaliados: Emergência (E%), Índice de Velocidade de Emergência (IVE) de acordo com a fórmula de Maguire (1962), Altura (AP) e Massa Seca de Plântulas (MSP).
Os resultados foram submetidos à análise de variância e as médias, quando significativas, foram comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. Os dados originais em porcentagem foram transformados em √x + 1.

Resultados e discussão

Durante o período do experimento, as médias das temperaturas mínima, máxima e média do ar na casa de vegetação foram de 18,8°C, 31,1°C e 24,9°C, respectivamente. Penariol (2007) obteve porcentagem de 100% com sementes de Roystonea regia coletadas na mesma data, das mesmas matrizes, sem polpa e de frutos maduros, em temperatura média controlada de 35°C e no presente estudo, as condições não foram controladas, ou seja, a temperatura média variou entre 13,6°C e 29,3°C.
Os valores médios da E% das sementes de palmeira real foram de 4,1%, 16,5%, 32,8%, 53,9% e 63,5% aos 43, 50, 70, 103 e 138 dias após a semeadura (DAS), respectivamente.
Os dados médios de E%, AP, MS e IVE após 138 DAS para os diferentes EM e T de superação da dormência encontram-se na Tabela 1. Em todos os parâmetros, os fatores EM e T interferiram de forma altamente significativa, bem como a interação EM x T, com exceção da MS. Para a MS, os estádios VA e LA proporcionaram valores superiores ao VE, já quanto aos T, o sem despolpa foi inferior aos demais, indicando a importância e necessidade deste processo.

Tabela 1. Médias dos valores de emergência (E%), altura (AP), massa seca (MS) e índice de velocidade de emergência (IVE) das plântulas de Roystonea regia aos 138 DAS de acordo com estádio de maturação (EM) e tratamento (T) de superação de dormência. Fernandópolis, SP. 2020.
Estádio de Maturação (EM) E (%) AP cm/pl MS g/pl IVE
Verde-Alaranjado (VA) 82,5 16,6 0,403 a 0,301
Laranja-Avermelhado (LA) 74,7 16,4 0,413 a 0,297
Vinho Escuro (VE) 33,3 5,1 0,333 b 0,097
Valor de F (E) 223,2** 258,17** 22,32** 400,76**
Tratamento (T)
1-T sem despolpa/fruto seco 7,7 0,9 0,213 b 0,022
2-T despolpada seca (DS) 65,3 12,6 0,397 a 0,239
3-DS + água 3 d 68,7 12,4 0,382 a 0,226
4-DS + água 5 d 64,7 12,9 0,398 a 0,241
5-DS + lixa + água 3 d 69,0 14,4 0,413 a 0,270
6-DS + ac. sulfúrico 70,0 17,8 0,413 a 0,262
7-DS + GA3 1000 ppm 3 d 76,0 15,0 0,423 a 0,289
8-DS + GA3 2000 ppm 3 d 71,0 15,0 0,401 a 0,271
9-DS + AIB 1000 ppm 3 d 75,3 16,5 0,399 a 0,262
10-DS + AIB 2000 ppm 3 d 65,0 11,9 0,378 a 0,216
11-DS + KNO3 3 d 65,7 14,0 0,397 a 0,246
Valor de F (T) 57,89** 40,50** 12,17** 44,00**
Valor de F (E x T) 5,94** 4,34** 0,93ns 6,32**
Média 63,5 12,7 0,38 0,23
CV (%) 10,1 11,5 2,19 1,59
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste de Skott-Knott a 5% de probabilidade. ** e *: significativo ao nível de 1 e 5% respectivamente. ns: não significativo. CV: coeficiente de variação.

Os dados médios de E%, AP e IVE para a interação dos fatores E x T encontram-se na Tabela 2. De forma geral, para esses três parâmetros, os valores obtidos nos estádios VA e LA foram superiores aos do VE, com exceção do tratamento sem despolpa, atestando novamente a importância do despolpamento. Quanto aos T de superação de dormência, para a %E e AP não houve diferenças significativas nos estádios VA e LA, com exceção do T sem despolpa. Para os resultados de IVE, no estádio LA todos os T se mostraram eficientes, com exceção do sem despolpa. Já em VA os melhores IVE foram obtidos com sementes despolpadas secas (DS), DS + lixa + água, DS + imersão em GA3 1000 e DS + GA3 2000 ppm.

Tabela 2. Interação dos fatores estádio de maturação (EM) e tratamento (T) para superação de dormência de sementes de Roystonea regia avaliados para os parâmetros emergência (E%), altura de plântulas (AP) e índice de velocidade de emergência (IVE), Fernandópolis, 2020.
Estádio de Maturação (EM) / Tratamento (T) E% AP IVE
VA LA VE VA LA VE VA LA VE
1-T sem despolpa/fruto seco 3 Ba 7 Ba 13 Ba 0,48 Ba 0,90 Ba 1,31 Ba 0,010 Ca 0,022 Ba 0,034 Ba
2-T despolpada seca (DS) 91 Aa 79 Aa 26 Bb 17,78 Aa 15,86 Aa 4,03 Bb 0,347 Aa 0,295 Aa 0,075 Bb
3-DS + água 3 d 88 Aa 78 Aa 40 Ab 15,80 Aa 15,38Aa 6,04 Ab 0,269 Ba 0,301 Aa 0,110 Ab
4-DS + água 5 d 91 Aa 79 Aa 24 Bb 17,36 Aa 17,98 Aa 3,49 Bb 0,313 Ba 0,339 Aa 0,069 Bb
5-DS + lixa + água 3 d 93 Aa 82 Aa 32 Bb 20,92 Aa 17,69 Aa 4,63 Bb 0,372 Aa 0,347 Aa 0,092 Bb
6-DS + ac. sulfúrico 86 Aa 78 Aa 46 Ab 18,24 Aa 18,51 Aa 7,52 Ab 0,319 Ba 0,318 Aa 0,150 Ab
7-DS + GA3 1000 ppm 3 d 92 Aa 84 Aa 52 Ab 20,32 Aa 19,47 Aa 9,82 Ab 0,367 Aa 0,335 Aa 0,166 Ab
8-DS + GA3 2000 ppm 3 d 90 Aa 83 Aa 40 Ab 19,91 Aa 18,62 Aa 6,60 Ab 0,360 Aa 0,338 Aa 0,118 Ab
9-DS + AIB 1000 ppm 3 d 93 Aa 95 Aa 38 Bb 17,11 Ab 21,26 Aa 4,49 Bc 0,329 Ba 0,360 Aa 0,097 Bb
10-DS + AIB 2000 ppm 3 d 87 Aa 81 Aa 27 Bb 16,39 Aa 16,31 Aa 3,07 Bb 0,292 Ba 0,291 Aa 0,067 Bb
11-DS + KNO3 3 d 93 Aa 76 Ab 28 Bc 18,84 Aa 18,10 Aa 5,11 Bb 0,331 Ba 0,322 Aa 0,087 Bb
Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha, não diferem entre si pelo teste de Skott-Knott a 5% de probabilidade. ** e *: significativo ao nível de 1 e 5% respectivamente. ns: não significativo.

As sementes de palmeiras normalmente apresentam dormência física em graus variados devido à dureza de seu endocarpo que impede a embebição de água, demandando métodos de superação como a imersão em água ou em substâncias químicas, estratificação, escarificação química ou mecânica, ou, mesmo, graus de exposição à luminosidade (BECKMANN-CAVALCANTE et al., 2012). A retirada da polpa (epicarpo e mesocarpo) também é recomendada visto que acelera a germinação de sementes de algumas espécies (LORENZI et al., 2004). O ácido giberélico, mostra-se como um dos preferidos no que diz respeito a uniformização da germinação, principalmente se for associado a escarificação, além de promover o aceleramento do processo germinativo (LOPES et al., 2011).

Conclusões/Considerações Finais

Sementes provenientes de frutos VA apresentam maior %E; sementes de frutos VA e LA germinam mais rápido; o despolpamento e a lavagem, independentemente do EM dos frutos, permitem uma maior % e velocidade de emergência das sementes de Roystonea regia.

Referências Bibliográficas

BECKMANN-CAVALCANTE, M. Z. et al. Temperatura, escarificação mecânica e substrato na germinação de sementes das palmeiras juçara e açaí. Revista Brasileira de Ciências Agrárias (Agrária), v. 7, n. 4, p. 569-573, 2012.
BEWLEY, J. D.; BLACK, M. Seeds: physiology of development and germination. 2. ed. New York: Plenum, 1994.
BROSCHAT, T. K. Palm seed propagation. Acta Horticulturae, n. 360, p. 141-147, 1994.
LOPES, P. S. N. et al. Tratamentos físicos e químicos para superação de dormência em sementes de Butia capitata (Martius) Beccari. Pesquisa Agropecuária Tropical, Goiânia, v. 41, n. 1, p. 120-125, 2011.
LORENZI, H. et al. Palmeiras brasileiras e exóticas cultivadas. Ed. Plantarum, 2004. 272p.
MAGUIRE, J. D. Speed of germination: aid in selection and evaluation for seedling emergence and vigor. Crop Science, Madison, v. 2, n. 2, p. 176-177, 1962.
PENARIOL, A. P. et al. Efeito da temperatura e do estádio de maturação dos frutos na germinação de sementes de Roystonea regia (Kunth) O. F. Cook (Arecaceae). Ornamental Horticulture, [S.l.], v. 13, p. 1541-1544, 2007.

Palavras Chave

dormência, fitohormônio, giberelina, palmeira real.

Arquivos

Área

Grupo I: Produção Agrícola (Vegetal)

Instituições

Universidade Brasil - São Paulo - Brasil

Autores

GISELE HERBST VAZQUEZ, ANDRÉA CRISTIANE SANCHES, THAIS APARECIDA PAIOLA SCATENA