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Dados do Trabalho


Título

QUALIDADE DE FRUTOS E POTENCIAL PRODUTIVO DE POMARES NOVOS DE MACIEIRA ‘MAXI GALA’ SOBRE PORTA-ENXERTOS DA SERIE CG

Introdução

Porta-enxertos são comumente utilizados em pomares de macieiras com diversos objetivos, dentre eles obter plantas menos vigorosas, proporcionar resistência a pragas e doenças, favorecer a adaptação a diferentes condições de solo, ocasionar a precocidade de frutificação das plantas e auxiliar no aumento da produtividade do pomar (DENARDI et al. 2015). Em nível mundial, a cultura da macieira dispõe de um grande número de porta-enxertos. Contudo, no Brasil, poucos porta-enxertos são utilizados comercialmente, prevalecendo o Marubakaido (Maruba), o M-9 e a combinação Maruba com interenxerto de M.9. Apesar de proporcionarem boas produtividades e bom calibre de fruto, ambos os porta-enxertos apresentam algumas desvantagens. Nesse sentido, é fundamental que se identifiquem porta-enxertos alternativos aos tradicionalmente utilizados pelos produtores de macieira no Sul do Brasil.
Dentre os porta-enxertos recentemente desenvolvidos no mundo, os da série americana Geneva® apresentam diversas características agronômicas requeridas para uso no Brasil (DENARDI et al., 2015). Dentre essas, destacam-se a eficiência no controle do vigor, indução de alta precocidade de frutificação, resistência às principais doenças e pragas de solo, ausência de rebrotes e burrknots, boa compatibilidade de enxertia com a copa, alto potencial produtivo e frutos de boa qualidade (ROBINSON, 2011; FAZIO et al., 2013; DENARDI et al., 2015). Contudo, a maior parte desses porta-enxertos ainda não tiveram seu desenvolvimento, potencial produtivo e qualidade de frutos avaliado nas condições de cultivo do Sul do Brasil.

Resumo

Este trabalho teve como objetivo avaliar a produtividade e o calibre de frutos de macieiras ‘Maxi Gala’ enxertadas sobre os porta-enxertos G.969, G.11, G.935, G.222. G.41 e G.890 cultivadas na região de São Joaquim, SC. As avaliações foram realizadas nas safras 2019/2020 e 2020/2021, utilizando um pomar implantado em 2018, com plantas conduzidas em sistema de muro frutal e densidade de 3.175 plantas por hectare. Foram avaliados os atributos de produtividade (t ha-1), número de frutos por planta e massa média de frutos. Na safra 2020/2021, os frutos foram classificados com relação ao calibre. Todos os porta-enxertos proporcionaram produtividades abaixo de 2,0 t ha-1 na safra 2019/2020. Para a safra 2020/2021, o porta-enxerto G.41 ocasionou a maior produtividade, não diferindo, contudo, do G.890 e do G.969. As macieiras sobre G.11 e G.935 produziram menor número de frutos em comparação às enxertadas sobre G.41 e G.890. O G.935 proporcionou menor massa média de frutos e menor percentual de frutos grandes em relação aos demais, bem como maior percentual de frutos pequenos e muito pequenos na classificação. Com base no comportamento inicial do pomar, os porta-enxertos G.41 e G.890 estão demonstrando os melhores resultados para macieiras ‘Maxi Gala’ na região de São Joaquim, proporcionando boa produtividade e calibre de frutos.

Objetivos

Este trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de diferentes porta-enxertos da série americana Geneva® sobre a produtividade e qualidade de frutos de macieira ‘Maxi Gala’ no início do desenvolvimento do pomar.

Material e Método

O trabalho foi desenvolvido na Estação Experimental de São Joaquim da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, situada em São Joaquim, SC (28º17'39"S, 49º55'56"W, a 1.415 m de altitude), nas safras 2019/2020 e 2020/2021. O pomar utilizado foi implantado em 2018 em uma área previamente corrigida e adubada, seguindo a recomendação para a cultura da macieira. Nesta área, não haviam sido cultivadas espécies frutíferas anteriormente. Foram usadas mudas de ‘Maxi Gala’ com haste simples. O espaçamento utilizado foi de 0,90 m entre plantas e 3,5 m entre linhas (população final 3.175 plantas por hectare). A cultivar ‘Fuji Suprema foi utilizada como polinizadora e as plantas foram conduzidas em muro Frutal, sem sistema de irrigação. O pomar foi manejado com base nas recomendações do sistema de produção da macieira, em sistema não irrigado.
Os tratamentos consistiram de seis porta‑enxertos: G.969, G.11, G.41, G.222, G.935 e G.890. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, com quatro repetições. As parcelas foram compostas por 10 plantas. No momento da colheita, que foi realizada durante a maturação comercial, a totalidade dos frutos produzidos na área foi contabilizada e pesada. Foram avaliadas com base nos dados: produção (kg planta-1), produtividade (t ha-1), frutos por planta e massa média de frutos (g). Para a safra 2020/2021, todos os frutos de cada parcela foram ainda classificados em relação ao calibre, utilizando uma máquina classificadora modelo MSW-8 (Iseki®, Tóquio, Japão), a qual dividiu os frutos em cinco classes de calibre, sendo elas: >190 g (muito grandes), 161 – 190 g (grandes), 131 – 160 g (médios), 101 – 130 g (pequenos) e <100 g (muito pequenos).
Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância (ANOVA), sendo que dados em porcentagem foram transformados pela fórmula arco seno √x/100 antes de serem submetidos à ANOVA. As médias foram comparadas pelo teste LSD (p<0,05).

Resultados e discussão

Para a safra 2019/2020, todos os porta-enxertos proporcionaram produtividades médias inferiores a 2,0 t ha-1 (dados não apresentados). Para essa safra, o porta-enxerto G.969 porpporcionou, dentre todos, a maior produtividade e o maior número de frutos por planta. O G.41 induziu produtividade intermediária, sendo superior em comparação ao G.11, porém não diferindo dos demais porta-enxertos. A massa média de frutos não diferiu entre tratamentos, sendo que todos os tratamentos proporcionaram, de maneira geral, frutos considerados de baixo calibre (massa média inferior a 100 g). Apesar de os porta-enxertos da série Geneva® serem reconhecidos por sua precocidade de produção (ROBINSON, 2011), os resultados demonstram que possivelmente seja pouco interessante manter a produção já no segundo ano após a implantação do pomar, uma vez que, além de ter proporcionado baixa produtividade e qualidade de frutos, pode ocorrer uma limitação nos carboidratos disponíveis para o crescimento das plantas na fase inicial de desenvolvimento do pomar, comprometendo a produtividade das safras seguintes.
Para a safra 2020/2021, o porta-enxerto G.41 porporcionou a maior produção por planta e produtividade estimada, não diferindo, contudo, do G.890 e do G.969 (Tabela 2). O G.935 apresentou, dentre todos os materiais avaliados, a menor produtividade, não diferindo do G.11 e G.222. O G.890 proporcionou maior número médio de frutos por planta, porém não diferiu do G.41 e do G.969. O G.935 reduziu a massa média de frutos em comparação aos demais porta-enxertos avaliados.

O G.935 proporcionou menor percentual de frutos classificados como grandes em relação aos demais, bem como maior percentual de frutos considerados pequenos e muito pequenos na classificação (Tabela 2). O menor crescimento dos frutos nesse porta-enxerto possivelmente foi ocasionado por redução na taxa fotossintética das plantas, já que macieiras sobre este porta-enxerto apresentaram sintomas de amarelecimento das folhas (dados não apresentados).

De acordo com Fazio et al. (2013), o ‘G.41’ induz à copa alta precocidade em frutificar, alta eficiência produtiva, frutos grandes e boa angulação de abertura dos ramos. Para esses autores, o ‘G.41’ é uma excelente opção de porta-enxerto ananizante para substituir o ‘M.9’ em regiões com histórico de pulgão-lanígero, fogo bacteriano ou doença de replantio da macieira. O G.890 é um porta-enxerto semivigoroso que apresenta diversas vantagens, como tolerância à doença de replantio e fácil propagação (DENARDI et al., 2015).

Conclusões/Considerações Finais

Os porta-enxertos G.41 e G.890 são alternativas promissoras para macieiras ‘Maxi Gala’ na região de São Joaquim, proporcionando precocidade, boa produtividade e calibre de frutos nos primeiros anos após o cultivo. A continuidade dos trabalhos e o acompanhamento do pomar em fase adulta serão fundamentais para determinar as melhores opções para a região.

Referências Bibliográficas

DENARDI, F.; KVITSCHAL, M.V.; HAWERROTH, M.C. Porta-enxertos de macieira: passado, presente e futuro. Agropecuária Catarinense, Florianópolis, v.28, n.2, p.89-95, 2015.
FAZIO, G.; ALDWINCKLE, H.; ROBINSON, T. Unique characteristics of Geneva® apple rootstocks. New York Fruit Quarterly, Geneva, v.21, n.2, p.25 28, 2013.
ROBINSON, T. Advances in apple culture worldwide. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v.33, n.1, p.37‑47, 2011.

Palavras Chave

Geneva®, Malus domestica Borkhausen, produtividade, calibre

Arquivos

Área

Grupo I: Produção Agrícola (Vegetal)

Autores

MARIUCCIA SCHLICHTING DE MARTIN, ALBERTO RAMOS LUZ, FELIPE AUGUSTO MORETTI FERREIRA PINTO, ALBERTO FONTANELLA BRIGHENTI, EDUARDO DA SILVA DANIEL, ADRIANA LUGARESI, CRISTHIAN LEONARDO FENILI, TIAGO MIQUELOTO