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Dados do Trabalho


Título

USO DE SUBTRATOS NA PROPAGAÇAO VIA ESTAQUIA DE ESPECIES DE PITAYA

Introdução

Nativa da América central, a Pitaya (Hylocereus undatus Haw, Hylocereus undatus, Selenicereus megalanthus) é uma cactácea distribuída em distintos países, dentre eles o Brasil, tendo como os maiores produtores a Colômbia e o México (CANTO, 1993). A Pitaya apresenta ciclo perene, e cresce sobre árvores ou pedras. Suas raízes são fibrosas e abundantes, fato responsável pela fixação da planta e pela aquisição de nutrientes. Os caules apresentam formato triangular, as flores são hermafroditas e os frutos podem sofrer variação de cor e casca como: a espécie de pitaya vermelha, que possui casca e polpa rosa avermelhada, a variedade amarela, com a casca amarela e polpa branca e a variedade branca, que tem casca rosa e polpa branca, todas contendo sabor agradável e levemente adocicado (CANTO, 1993). Por apresentar vantagens relacionadas ao menor tempo para obtenção das mudas e conservar as características das plantas matrizes, a propagação da pitaya, geralmente, é realizada por estaquia (PIMENTA, 1990, HERNÁNDEZ, 2000). Em Roraima, a casca de arroz, utilizada nas formas in natura ou carbonizada, apresenta-se como um dos principais componentes na confecção de substratos para a produção de mudas por ser abundante e de baixo custo ao produtor (MONTEIRO NETO et al., 2016). Segundo Chagas et al. (2013), além da casca de arroz, materiais como serragem, estercos e compostos comerciais podem ser amplamente utilizados na confecção de substratos para mudas frutíferas. Nesse sentido, objetivou-se com este trabalho avaliar o efeito de diferentes substratos na propagação via estaquia de espécies de pitaya.

Resumo

A produção de mudas de pitaya pode ser realizada via estaquia, enxertia ou micropropagação. A propagação via estaquia é uma das mais utilizadas, por apresentar vantagens relacionadas ao menor tempo para obtenção das mudas e conservar as características das plantas matrizes. Na produção de mudas por estaquia um dos principais critérios a ser considerado é a utilização de substratos, pois dela depende a obtenção de plantas vigorosas e produtivas. Nesse sentido, objetivou avaliar o uso de diferentes substratos na propagação via estaquia de diferentes variedades de pitaya. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial 3 x 4, com três repetições. Foram testadas três variedades de pitaya (vermelha, branca e amarela) e quatro substratos (S1 - casca de arroz carbonizada, S2 - Serragens de madeira envelhecida, S3 - Húmus de minhoca e S4 - Cama de aviário). Após 45 dias do plantio, foi avaliado o comprimento da maior raiz, comprimento da menor raiz, número de brotações, massa fresca de raiz e massa seca de raiz. Concluiu-se que os substratos S2 e S1 mostram-se promissores à produção mudas de pitaya por estaquia. As variedades de pitaya Vermelha e Amarela possuem melhor desenvolvimento quando cultivadas sob serragem de madeira envelhecida. A variedade de pitaya Branca desenvolve-se melhor sob casca de arroz carbonizada.

Objetivos

Avaliar o efeito de diferentes substratos na propagação via estaquia de espécies de pitaya.

Material e Método

O estudo foi desenvolvido em propriedade particular no município de Boa Vista, Roraima, Brasil, durante o período de maio a junho de 2021. O clima da região, segundo a classificação de Köppen, é do tipo Aw, tropical chuvoso, com médias anuais de precipitação, umidade relativa e temperatura, de 1.678 mm, 70% e 27,4 ºC, respectivamente (ARAÚJO et al., 2001). Em delineamento inteiramente casualizado, três experimentos independentes (um para cada espécies de pitaya: Vermelha, Branca e Amarela) foram instalados com três repetições. Em cada espécie foram avaliados quatro substratos: S1 – casca de arroz carbonizada, S2 – Serragem de madeira envelhecida, S3 – Húmus de minhoca e S4 – Cama de aviário. As estacas de pitaya foram obtidas de plantio do próprio pesquisador e os substratos foram adquiridos no distrito industrial de Boa Vista-RR (casca de arroz carbonizada e serragem de madeira envelhecida), em casa agropecuária (húmus de minhoca) e granjas da região (cama de aviário). Foram utilizadas estacas de 20 cm de fragmentos de cladódios do terço superior de plantas com 4 anos de idade. As estacas foram cultivadas em copos descartáveis de 18 cm (500mL) e acondicionadas em ambiente protegido, utilizando três copos para cada substrato. Os tratos culturais realizados consistiram de rega pela manhã a cada dois dias após o plantio. Foram realizadas limpezas periódicas nos recipientes visando a eliminação de plantas daninhas. Não houve a necessidade de aplicação de defensivos para controle de pragas e doenças. Após 45 dias do plantio foram avaliados o comprimento da maior raiz (CmaiorR), comprimento da menor raiz (CmenorR), número de brotações (NB), massa fresca de raiz (MF) e massa seca de raiz (MS). Os comprimentos de raiz (cm) foram aferidos com o auxílio de uma régua graduada em milímetros. O número de brotações foi obtido pela contagem das brotações emitidas. A massa fresca de raiz (g) foi aferida pela pesagem com o auxílio de uma balança de precisão. A massa seca de raiz foi aferida pela pesagem com o auxílio de uma balança de precisão, após as amostras terem passado 72 horas a 60ºC em estufa de secagem. Os dados obtidos foram submetidos aos testes de normalidade e de homogeneidade de variância, de Shapiro-Wilk e de Bartlet, respectivamente. Quando normais e homogêneos foram submetidos à análise de variância e a comparação das médias dos substratos feita pelo teste de Tukey (p<0,05). Salienta-se que em virtude das variedades de pitaya estudadas possuírem características anatômicas e morfológicas diferenciadas, não foi realizado comparação estatística entre elas.

Resultados e discussão

Para o comprimento de maior raiz (Tabela 1), foi observado que as variedades de pitaya Vermelha e Amarela apresentaram melhor desenvolvimento radicular quando cultivadas sob a serragem de madeira envelhecida. A melhor resposta obtida nos substratos serragem de madeira e casca de arroz carbonizada pode está ligado à caracterização física dos mesmos, sobretudo elevada porosidade, e não as suas condições químicas.
Tabela 1. Valores médios de comprimento de maior raiz (cm) de mudas por estaquia de três variedades de pitaya em diferentes substratos.
Substratos Comprimento de raiz (cm)
Vermelha Branca Amarela Média
Casca de arroz carbonizada 24,40 b 24,93 a 16,16 b 21,83 b
Serragem envelhecida 29,30 a 14,46 b 25,60 a 23,12 a
Húmus de minhoca 25,46 b 15,00 b 14,40 b 18,28 c
Cama de aviário 3,80 c 1,66 c 3,23 c 2,90 d
Média 20,74 14,01 14,85
Médias seguidas de mesmas letras, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Os insatisfatórios resultados inerentes aos substratos com cama de aviário e húmus de minhoca foram obtidos devido ao excesso de umidade retido nesses materiais. O húmus de minhoca, por exemplo, caracteriza-se pela estabilização de resíduos orgânicos que, através do trato digestivo de minhocas, sofrem reações enzimáticas e convertem-se rapidamente em grande quantidade de substância húmicas (SH).

































































Tabela 2. Valores médios de comprimento de menor raiz (cm) de mudas por estaquia de três variedades de pitaya em diferentes substratos.
Substratos Variável
Vermelha Branca Amarela Média
Casca de arroz carbonizada 9,06 b 7,30 a 9,10 b 8,48 a
Serragem envelhecida 9,10 b 6,50 a 12,96 a 9,52 a
Húmus de minhoca 17,53 a 5,00 a 7,23 b 9,92 a
Cama de aviário 2,03 c 1,00 b 2,00 c 1,67 b
Média 9,43 4,95 7,82
Médias seguidas de mesmas letras, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Tabela 3. Valores médios de massa fresca de raiz (g) de mudas por estaquia de três variedades de pitaya em diferentes substratos.
Substratos Variável
Vermelha Branca Amarela Média
Casca de arroz carbonizada 5,97 a 8,61 a 3,15 a 5,91 a
Serragem envelhecida 3,29 b 6,53 b 2,51 a 4,11 b
Húmus de minhoca 4,88 a 3,17 c 2,26 a 3,44 b
Cama de aviário 0,0 c 0,0 d 0,0 b 0,0 c
Média 3,53 4,58 1,98
Médias seguidas de mesmas letras, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
De acordo com Frade Junior et al. (2011), um substrato ideal deve garantir a manutenção mecânica do sistema radicular através de sua fase sólida, assegurar o suprimento ideal de água e nutrientes por meio de sua fase líquida e garantir o suprimento de oxigênio e o transporte de CO2 entre as raízes e o meio externo através de sua fase gasosa. Devido a essas características, Moraes et al. (2009), sugere o uso de casca de arroz carbonizada na produção de mudas de pitaya por estaquia em função do bom crescimento apresentado pelas mudas aos 90 dias após plantio.
Tabela 4. Valores médios de massa seca de raiz (g) de mudas por estaquia de três variedades de pitaya em diferentes substratos.
Substratos Variável
Vermelha Branca Amarela Média
Casca de arroz carbonizada 2,13 a 2,48 a 1,39 a 2,00 a
Serragem envelhecida 1,70 a 2,53 a 1,81 a 2,01 a
Húmus de minhoca 1,51 a 1,50 b 1,35 a 1,45 b
Cama de aviário 0,0 a 0,0 c 0,0 b 0,0 c
Média 1,33 1,63 1,14
Médias seguidas de mesmas letras, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
De modo geral, os melhores resultados observados neste estudo foram obtidos com a utilização de serragem de madeira envelhecida e casca de arroz carbonizada. O húmus de minhoca e a cama de aviário não se mostram promissores como substratos para produção de mudas de pitaya por estaquia.

Conclusões/Considerações Finais

Os substratos: serragem de madeira envelhecida e casca de arroz carbonizada mostram-se promissores à produção mudas de pitaya por estaquia. As variedades de pitaya Vermelha e Amarela possuem melhor desenvolvimento quando cultivadas sob serragem de madeira envelhecida. A variedade de pitaya Branca desenvolve-se melhor sob casca de arroz carbonizada.

Referências Bibliográficas


ARAÚJO, W.F.; ANDRADE JÚNIOR, A.S.; MEDEIROS, R.D.; SAMPAIO, R.A. Precipitação pluviométrica provável em Boa Vista, Estado de Roraima, Brasil. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v.5, n.3, p.563-567, 2001.
CANTO, A.R. El cultivo de pitahayaenYucatan. Universidad Autônoma Chapingo– Gobierno Del Estado de Yucatan. 53p. 1993.
HERNÁNDEZ, Y.D.O. Haciaelconocimiento y conservación de lapitahaya (Hylocereus sp.). México. 124p. 2000.
MONTEIRO NETO, J. L., ARAÚJO, W. F., VILARINHO, L. B. O., SILVA, E. S., ARAÚJO, W. B. L. & SAKAZAKI, R. T. Produção de mudas de pimentão (Capsicum annuum L.) em diferentes ambientes e substratos. Revista Brasileira de Ciências Agrárias, v.11, n.4, p.289-297, 2016.
MORAIS, J. P. S.; CORREIA, D.; COELHO, P. J. A.; MACIEL, F. S.; NASCIMENTO, E. H. S. Crescimento de mudas de pitaya em diferentes substratos sob condições de telado. Anais... Sergipe. XVII Congresso Brasileiro de Floricultura e Plantas Ornamentais. IV Congresso Brasileiro de Cultura de Tecidos de Plantas.Aracaju – Sergipe – Brasil, 18 a 23 de outubro de 2009.

Palavras Chave

Diversidade florística, manejo do solo, Infestação.

Arquivos

Área

Grupo IX: Outras áreas de interesse

Instituições

Faculdade Roraimense de Ensino Superior - Roraima - Brasil

Autores

AMANDA ALINNE CASSIANO DA SILVA, SARAH ANDRESSA DE ANDRADE CAVALCANTE, REBECCA TAVARES OLIVERIA, MARIA EDUARDA ALENCAR DE LIMA, CESAR AUGUSTO BATISTA DE OLIVEIRA