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Dados do Trabalho


Título

EFEITO DO COMPOSTO ORGANICO MISTURADO A PO DE ARDOSIA EM CULTIVOS DE HORTALIÇAS

Introdução

O setor agroindustrial da produção de carnes possui elevada importância socioeconômica em Santa Catarina (SC), sendo responsável por mais de 70% das exportações do Estado. Contudo, esse setor gera elevados volumes de resíduos, que quando não tratados, ocasionam sérios problemas ambientais. Esses materiais podem ser transformados por meio da compostagem em fertilizantes de elevada qualidade para uso em cultivos agrícolas (Cantú et al. 2020). Outro importante setor para SC é a mineração da ardósia (varvito), que possui elevada importância na Região do Alto Vale do Itajaí. Entre os produtos da mineração se destaca o pó de ardósia, sendo que materiais como esse, possuem potencial de melhorar as características do solo como um remineralizador (Theodoro et al. 2010). Apesar deste composto orgânico do pó de ardósia possuir potencial de uso agronômico, devido suas características químicas, ainda são raros os estudos sobre o uso da mistura desses materiais. Considerando esses aspectos, o objetivo do trabalho, foi avaliar o efeito de um composto orgânico obtido com resíduos da agroindústria frigorífica, misturado a doses de pó de ardósia, em cultivos sucessivos de hortaliças.

Resumo

O composto de resíduos de agroindústria frigorífica misturado ao pó de ardósia possui potencial agronômico, porém é necessário realizar avaliações em cultivos. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do composto misturado ao pó de ardósia em solos com diferentes fertilidades. O experimento foi realizado na Epagri de Itajaí, onde se avaliou o composto misturado a quatro doses do pó de ardósia em solos de baixa, média e alta fertilidade. Foram realizados seis cultivos sucessivos de hortaliças. A mistura do composto com doses de pó ardósia proporcionou incremento na produção vegetal, podendo ser recomendada para cultivos de hortaliças. Todavia, mais estudos em outras condições devem ser realizados.

Objetivos

O objetivo do trabalho, foi avaliar o efeito de um composto orgânico obtido com resíduos da agroindústria frigorífica, misturado a doses de pó de ardósia, em cultivos sucessivos

Material e Método

O trabalho foi realizado em Itajaí/SC nos anos de 2018 e 2019 na Estação Experimental da Epagri - EEI, situada a 27º 34’ de latitude Sul, 48º 30’ de longitude Oeste de Greenwich e altitude de 5m. De acordo com Köeppen (1948) o clima do lugar é subtropical, com chuvas bem distribuídas e verão quente e úmido, do tipo Cfa.
Os experimentos foram conduzidos em solos com três diferentes níveis de fertilidade, sendo: A) cultivo em área de baixa fertilidade (BF); B) cultivo em área de média fertilidade (MF); e C) cultivo em área de alta fertilidade (AF). Foi avaliado o efeito do composto orgânico misturado ao pó de ardósia (Tabela 1), nos três níveis de fertilidade do solo (Tabela 2). O composto e o pó de ardósia foram aplicados na superfície do solo e incorporados a 20 cm, com auxílio de enxada rotativa mecanizada. Foram realizados seis cultivos sucessivos, sendo: 1) alface, do dia 30/05/2018 ao dia 17/07/18; 2) alface, do dia 10/08/2018 ao dia 19/09/2018; 3) brócolis, do dia 25/09/2018 ao dia 18/12/2019; 4) alface, do dia 26/01/2019 ao dia 15/03/2019; 5) aveia, do dia 18/04/2019 ao dia 14/08/2019; 6) alface, do dia 15/09/2019 ao dia 14/11/2019.

Tabela 1. Tratamentos da avaliação do composto (CP) misturado ao pó de ardósia (PA)
Tratamento Descrição
T1 30 t ha-1 de CP
T2 30 t ha-1 de CP + 5 t ha-1 de PA
T3 30 t ha-1 de CP + 10 t ha-1 de PA
T4 30 t ha-1 de CP + 20 t ha-1 de PA

Os cultivos 5 e 6 não receberam os fertilizantes, onde foi avaliado o efeito residual dos tratamentos. A dose do composto foi estabelecida considerando suas características químicas (Tabela 2), tomando como base trabalhos já publicados (Cantú et al. 2019) e a recomendação da CQFS- RS/SC (2016) para o cultivo em questão. As doses do pó de ardósia foram estabelecidas buscando encontrar a melhor quantidade a se misturar ao composto, utilizando como referência outros estudos realizados (Ribeiro et al 2013; Theodoro et al 2016). Os tratamentos tiveram quatro repetições de 16 plantas cada, sendo avaliada a produção vegetal. Os resultados foram submetidos a análises estatísticas, com auxílio dos programas Sisvar e Sigma plot.

Tabela 2. Principais características do solo, composto e pó de ardosia utilizados no experimento.
Material pH P K N MO Relação C/N
....mg dm -3...... %
Composto 6,8 1720 790 2620 - 14
Pó de ardósia 8,5 3,4 48 - - -
Solo BF* 4,9 87,6 44 - 2,1 -
Solo MF* 5,4 123,4 172 - 2,6 -
Solo AF* 5,8 132,3 280 - 2,8 -
*BF – baixa fertilidade; MF – média fertilidade; AF – alta fertilidade.

Resultados e discussão

O de ardósia misturado com composto orgânico proporcionou efeito entre os diferentes solos estudados, sendo positivos particularmente na área de baixa fertilidade (BF) (Figura 1). A adição sucessiva de doses do pó de ardósia misturado ao composto proporcionou incrementos na produção de MV em quase todos os cultivos no solo de baixa fertilidade (BF), com exceção do último cultivo (Figura 1D) que não foi significativo. Por outro lado, no primeiro, segundo e quarto cultivo (Figura1A, B e D), no solo de AF a adição do PA ocasionou uma redução na produção, sendo que no terceiro (Figura 1C), não foi significativo. No solo de MF, em todos os cultivos não houve significância para as curvas de tendência.







Figura 1. Produção de hortaliças em cultivos sucessivos (A, B, C e D) utilizando doses de pó de ardósia (PA), associado com composto orgânico (30 toneladas / ha) e de cultivos com efeito residual (E e F), em áreas de baixa (BF), média (MF) e alta fertilidade (AF).

Em relação ao efeito residual dos dois cultivos (Figura 1), sucessivos aos quatro cultivos que receberam a mistura do PA com o composto orgânico (Figura 1), foi possível observar um incremento na produção vegetal nas áreas de BF e MF no primeiro cultivo (aveia) e na área de BF no segundo cultivo (alface). As curvas da área de AF no primeiro cultivo e AF e MF no segundo cultivo não foram significativas. É possível que nas condições de BF a mistura proporcione efeitos na mineralização dos nutrientes, conforme contatado por Cantú et al (2021), que levaram a um melhor aproveitamento dos nutrientes ou substâncias húmica, fornecidas pelo composto, promovendo o incremento vegetal.

Conclusões/Considerações Finais

A associação do composto orgânico em questão, a doses de pó de ardósia pode ser recomendado para cultivo de hortaliças em áreas de baixa fertilidade, sendo que em áreas de alta fertilidade, não se recomenda o uso buscando incremento da produção vegetal. Todavia, é necessário mais estudos com outros compostos e em condições distintas ao do presente estudo.

Referências Bibliográficas

CANTÚ, R. R.; SCHALLENBERGER, E.; MORALES, R. G. F.; VISCONTI, A. Efeito residual do uso prolongado de composto orgânico em abrigos de cultivo. In: Congresso Virtual de Agronomia, 2020, Online. Anais[...] São Paulo, SP: Convibra, 2020. Disponível em: http://andorinha.epagri.sc.gov.br. Acesso em: 20 nov. 2020.
CANTÚ, R. R.;LAZZARI, M.;SCHALLENBERGER, E.;MORALES, R. G. F.;MARCELLOS, E. L.;PRANDINI, J. M. Mineralização do nitrogênio de composto orgânico misturado com pó de ardósia. In: Simpósio Internacional Ciência, Saúde e Território, 6, 2021, Lages. Anais... Lages: Uniplac, 2021.
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THEODORO, S. H.; LEONARDOS, O. H.; ALMEIDA, E. Mecanismos para disponibilização de nutrientes minerais a partir de processos biológicos. In: Congresso brasileiro de rochagem, 1., 2010, Brasília. Anais... Planaltina: EMBRAPA Cerrados, 2010. p. 173-181.
THEODORO, S.H. A construção do marco legal dos remineralizadores. Anais. Congresso Brasileiro de Rochagem, 3. In.: III Congresso Brasileiro de Rochagem, 8 a 11 de novembro de 2016.

Palavras Chave

Compostagem, fertilizantes, nutrição de plantas, produção orgânica

Arquivos

Área

Grupo IV: Ciências do solo

Autores

RAFAEL RICARDO CANTU, EUCLIDES SCHALLENBERGER, RAFAEL GUSTAVO MORALES, ALEXANDRE VISCONTI