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Dados do Trabalho


Título

INFLUENCIA DA COBERTURA VEGETAL SOBRE VARIAS DISTANCIAS DE ‘ILHAS’ DE BABAÇU COM BRAQUIARIA NA COMUNIDADE DE FUNGOS ENDOFITICOS

Introdução

A palmeira de babaçu (Attalea speciosa MART.) desempenha um importante papel socioeconômica para o Brasil, em especial nos estados do Maranhão, Piauí e Tocantins (QUEIROGA et al., 2015), devido sua exploração por meio do extrativismo, realizado pelas
quebradeiras de coco, além de ser fonte de alimento para animais frutívoros, atua também na recuperação de áreas degradadas devido suas raízes densas promoverem agregação do solo da rizosfera (EISERHARDT et al., 2011). Dentro desa rizosfera destacam-se um dos grupos de organismos calssificados como fungos endofíticos, que vivem no interior dos tecidos das plantas como simbiontes mutualísticos responsaveis pela produção tanto de compostos bioativos como promoção de resistencia à planta (FREIRE et al., 2014). De acordo com Santos et al. (2017), a cobertura vegetal é um fator que influencia nas características morfológicas e na estrutura populacional do babaçu, junto ao manejo da pastagem que também interfere na organização espacial da palmeira, assim é importante esclarecer seus prós e contras para alcançar o controle adequado da cobertura vegetal (SILVA et al., 2012; CAMPOS et al., 2017). Dentre as espécies empregadas a braquiária (Brachiaria brizantha) domina os pastos plantados em grande parte da Amazônia e parcialmente do cerrado. Os efeitos ecológicos destes capins são ambivalentes, com fixação biológica de nitrogênio via associações especialmente com Azospirillum amazonense, A. brasiliense (SCHUNKE, 2001) e aquisição de fósforo e outros nutrientes menos disponíveis por sua ampla associação com fungos micorrízicos arbusculares (DELBEM et al., 2010).

Resumo

: O babaçu é uma palmeira que tem grande importância social e econômica, no interior dela pode-se encontrar uma interação com fungos endofíticos, importante fonte de compostos bioativo. O objetivo desse trabalho foi conhecer os impactos ecológicos e a interação de diferentes distâncias nas ‘ilhas’ de babaçu com Braquiária brizantha, assim como o efeito da cobertura vegetal na
comunidade de fungos endofíticos. O experimento foi executado em 4 pastos com Braquiária, dispersos neles haviam palmeiras adultas de babaçu e palmeiras juvenis “Pindoba” nos seus arredores, formando ‘ilhas’ de babaçu. Em cada área foram selecionadas três palmeiras, cada uma com três distâncias amostrais: ‘perto’ (<0,64 m de distância), ‘média’ (4,20 m) e ‘longe’ (10,13m ou sem influência do babaçu). Para estimar a dissimililaridade entre a comunidade de fungos endofíticos foram aplicados dendogramas de dissimilaridade (Bray Curtis) entre as espécies vegetais. Os dendrogramas mostraram maior dissimilaridade dos fungos endofíticos entre a distância longe e as demais distancias, tanto no babaçu como na Braquiária. O escalonamento multidimensional mostrou elevada dissimilaridade entre a abundância e diversidade dos fungos dentro dos pontos amostrais. Conclui-se que no consorcio do babaçu e Braquiária há maior interação de fungos endofíticos nas distâncias ‘perto’ e ‘média’.

Objetivos

O objetivo desse trabalho foi compreender os impactos ecológicos e a interação das distâncias ‘perto’, ‘média’ e ‘longe’ nas ‘ilhas’ de babaçu com presença de braquiária, assim como o efeito da cobertura vegetal na comunidade de fungos endofíticos.

Material e Método

As áreas amostrais estão localizadas no município de Pirapemas, inserido na Mesorregião Norte Maranhense. O experimento foi executado em 4 pastos com capim braquiária (Brachiaria brizantha (Hochst.) Stapf, cv ‘Marandú’) que haviam dispersos neles palmeiras adultas de babaçu, cercados por palmeiras juvenis (‘pindobas’) nos seus arredores, assim formando ‘ilhas’ de babaçu. Em cada área foram selecionadas três palmeiras (ilhas de adulto + pindobas) dispersas nestas áreas, cada uma com três distâncias amostrais: ‘perto’ (< 0,64m de distância do tronco do adulto e cercado por pindobas), ‘média’ ( 4,20 m de distância) e ‘longe’ (10,13m ou sem influência do babaçu/presença de raízes de babaçu). Em cada palmeira, foram alocados em forma triangular três pontos amostrais de cada distância, o que totalizou 9 pontos/área, resultando em 36 amostras de raízes de braquiária e 36 amostras de raízes de babaçu. Para a coleta selecionou-se fragmentos de raízes com cerca de 10 cm de comprimento tanto para Braquiária quanto para o Babaçu, onde posteriormente foram colocadas em tubos falcon (de 50 ml), higienizadas e refrigeradas para em seguida processar as amostras no laboratório de solos – UEMA. A análise dos dados foi baseada em Modelos Lineares Generalizados (GLM) utilizando a família de dados binomial negativa que foi escolhida através do método de dispersão de resíduos. A interação entre as variáveis foi calculada através do valor de p ajustado para múltiplas interações utilizando o método de ‘free stepdown resampling procedure’. Para estimar a dissimililaridade entre a comunidade de fungos endofíticos foram aplicados dendogramas de dissimilaridade (Bray Curtis) entre as espécies vegetais (hospedeiros).

Resultados e discussão

Os dendrogramas mostraram maior dissimilaridade dos fungos endofíticos entre a distância
longe e as demais distancias, tanto no babaçu como na braquiária (Figura 1).
No presente estudo as amostras radiculares coletadas próximas do babaçu e na interação entre
babaçu e braquiária representam cenários ecológicos complexos. Nestes locais ocorrem maiores
interações que no ponto amostral “longe” com predomínio de braquiária. Esse fato pode ser
devido os efeitos dos exsudatos de diferentes raízes, logo fornecerá maior liberação de
exsudados como forma de comunição entre plantas diferentes (BADRI e VIVANCO, 2009).
Segundo Yoshiura, 2014 essa substância influencia na interação entre os microrganismo, por
disponibilizar carbono orgânico; a deposição da serrapilheira e steamflow próximo ao babaçu e
na intersecção entre as duas plantas também influenciaram no aumento das interações.Estes
resultados mostram que a ausência de interações no cultivo monoespecífico selecionou a
comunidade longe do babaçu tornando-a distinta dos outros tratamentos devido ao efeito da
braquiária em um ambiente monoespecífico, logo nesse ambiente a interação foi pouca, pois
segundo Sousa et al. (2019) os fungos gostam de associações com outras plantas e não de
ambientes monoespecífico.
O escalonamento multidimensional mostrou elevada dissimilaridade entre a abundância e
diversidade dos fungos dentro dos pontos amostrais (Figura 2). Esta alta dissimilaridade é
resultado da quantidade contraste de fungos dentro de cada ponto amostral. A análise ainda
apresentou diferenças nas comunidades dentro das plantas hospedeiras e entre distâncias
diferentes, revelando que cada uma das plantas selecionou seus endofíticos através de processos
ecológicos diferentes

Conclusões/Considerações Finais

O consórcio do babaçu e braquiária influenciou na diversidade de fungos endofíticos, principalmente nas distâncias perto e média. Não houve interação dos fungos nas áreas de longa distância.

Referências Bibliográficas

BADRI, D. V.; VIVANCO, J. M. Regulation and function of root exudates. Plant, Cell and Environmet, v. 32, p.666 – 681, 2009.
CAMPOS, I.L.A.; ALBUQUERQUE, U.P.; PERONI, N.; ARAÚJO, E.D.L. Population structure and fruit availability of the babassu palm (Attalea speciosa Mart. ex Spreng) in human-dominated landscapes of the Northeast Region of Brazil. Acta Botânica Brasilica, v.31, n.2, p. 267-275, 2017.
DELBEM, F. C. SCABORA, M. H., SOARES FILHO, C. V., HEINRICHS, R., FERRARI, T. A., & CASSIOLATO, A. M. R. Colonização micorrízica e fertilidade do solo submetido a fontes e doses de adubação nitrogenada em Brachiariabrizantha. Acta Scientiarum Agronomy, v. 32, n. 3, 2010.
FREIRE, F. C. O.; VASCONCELOS, F. R.; COUTINHO, I. B. L. Fungos endofíticos: uma fonte de produtos bioativos de importância para a humanidade. Essentia-Revista de Cultura, Ciência e Tecnologia da UVA, vol. 16, n. 1, p. 61-102, jun./nov. 2014.
QUEIROGA, V. P.; GIRÃO, Ê, G.; ARAÚJO, I. M. S.; GONDIM, M. S.; FREIRE, R. M. M.; VERAS, L. G. C. Composição centesimal de amêndoas de coco babaçu em quartos tempos de armazenamento. Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, v.17, n.2, p.207-213, 2015.
SCHUNKE, R. M.. Alternativas de manejo de pastagem para melhor aproveitamento do nitrogênio do solo. Embrapa Gado de Corte, 2001.
SILVA, M.R.; CARVALHO JÚNIOR, O.A.; MARTINS, E.S.; MITJA, D.; CHAIB FILHO, H.; Análise Fatorial Multivariada Aplicada a Caracterização de Áreas de Ocorrência de Babaçu (Attalea speciosa) na Bacia do Rio Cocai. Sociedade e Natureza. Uberlândia, v.24, n.2, p.267-282, 2012.
SOUSA, R. R. D.; LEÃO, E. U.; VELOSO, R.A.; GIONGO, M.; SANTOS, G. R. D.Impacto da queima de vegetação do Cerrado sobre fungos habitantes do solo. Ciência Florestal, v. 29, p. 965-974, 2019.
YOSHIURA,C.A. Influência dos sistemas agrícolas e reflorestamento na estrutura das comunidades microbianas associadas ao ciclo do carbono do Alto Xingu.2014.Dissertação (Mestrado em Ciências), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014

Palavras Chave

Attalea speciosa, Brachiaria brizantha, interferência,pastagem

Arquivos

Área

Grupo IV: Ciências do solo

Autores

ADRIELY SA MENEZES DO NASCIMENTO, LUANA CORREA SILVA, NATÁLIA DA CONCEIÇÃO LIMA, CAMILA PINHEIRO NOBRE, NATHALIA DA LUZ OLIVEIRA, CHRISTOPH GEHRING, LEANY NAYRA ANDRADE RIBEIRO, GISELLE CRISTINA SILVA CARNEIRO