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Dados do Trabalho


Título

POTENCIAL GERMINATIVO DE SEMENTES DE SOJA TRATADAS COM DIFERENTES BIOESTIMULANTES

Introdução

A soja, Glycine max, é um dos insumos agrícolas mais importante do mundo, pois trata-se de um produto que pode ser utilizado para alimentação humana, quando consumido diretamente o grão, mas também pode ser a matéria prima para a produção de farelo, utilizado na alimentação animal, e na produção de óleo (INOUE, 2019).
O tratamento de sementes é de suma importancia na obtenção de altas produtividade nas lavouras pois promove a proteção contra os patógenos, retarda a deterioração e em consequência permite um rápido estabelecimento da cultura no campo (HENNING, 2005).
Entre os diversos produtos utilizados durante o tratamento de semente, os bioestimulantes, possuiem como característica promover o crescimento e o desenvolvimento da planta. Estes produtos podem ser constituídos de micronutrientes, substâncias húmicas e hormônios sintéticos (SCHOENINGER, 2014).
Os extratos de algas podem ter substâncias que apresentam basicamente os mesmos efeitos que alguns hormônios vegetais, portanto ele pode auxiliar o estabelecimento inicial da cultura, aumentar sua capacidade de produção e também induzir na planta a tolerância a estresses bióticos e abióticos. São bem versáteis quanto sua aplicação podendo ir no tratamento de semente, via foliar e também na irrigação da cultura (NETO apud CARVALHO et al, 2013).
Dentre os micronutrientes os mais comuns para o tratamento de semente é cobalto(Co), molibdenio(Mo) e zinco (Zn), sendo os mais utilizados na cultura da soja os micronutrientes Co e Mo, pois apresenta como função direta no desenvolvimento, além da redução do nitrato e fixação do nitrogênio (HAMILTON et al, 2020).
Diante do exposto o trabalho teve como objetivo avaliar o potencial germinativo de sementes de soja tratadas com diferentes bioestimulantes.

Resumo

O Brasil é o maior produtor e exportador de soja no mundo, um dos grãos mais importantes para humanidade, devido a vasta capacidade de utilização dessa commoditie. O objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial germinativo de sementes tratadas com diferentes bioestimulantes. O experimento foi realizado no laboratório de sementes do Centro Universitário Arnaldo Horácio Ferreira – UNIFAAHF em Luís Eduardo Magalhães, Bahia, em abril de 2021. O delineamento experimental adotado foi o inteiramente casualizado com sete tratamentos, apresentando diferente doses dos produtos e utilizando em conjunto (mL 100 kg -1 de sementes): T1-440 Potamol; T2-880 Potamol; T3-440 Potamol + 150 Acadian; T4-880 Potamol + 150 Acadian; T5- 440 Potamol + 300 Acadian; T6- 880 Potamol + 300 Acadian; T7- Testemunha. As sementes foram submetidas os seguintes testes: germinação, índice de velocidade de germinação, emergência, índice de velocidade de emergência, primeira contagem de germinação, envelhecimento acelerado, massa seca da parte aérea, massa seca da raiz e comprimento da parte aérea e raiz. Superdosagem de Potamol interferiram no desempenho germinativo e de vigor das sementes de soja, alterando o resultado de primeira contagem, índice de velocidade de germinação, envelhecimento acelerado e plântulas germinadas normais. Acadian independente da sua dosagem, conseguiu reduzir os malefícios causados pela superdosagem de Potamol, em primeira contagem de germinação.

Objetivos

O trabalho teve como objetivo avaliar o potencial germinativo de sementes de soja tratadas com diferentes bioestimulantes.

Material e Método

O experimento foi conduzido em abril de 2021 no Laboratório de Sementes do Centro Universitário Arnaldo Horácio Ferreira - UNIFAAHF, no município de Luís Eduardo Magalhães, Bahia.O delineamento experimental adotado foi o inteiramente casualizado com sete tratamentos sendo T1 (440mL Potamol), T2 (880mL Potamol), T3( 440 Potamol + 150 Acadian), T4 (880 Potamol + 300 Acadia), T5(440 Potaml + 300 Acadian), T6(880 Potamol + 300 Acadian) por 100 Kg-1 de sementes e T7 (testumunha) e quatro repetições .
Durante a condução do experimento as sementes foram submetidas as seguintes avaliações:a) Germinação (G): Quatro repetições de 50 sementes por parcela e realizado segundo as especificações contidas nas Regras de para Análise de Sementes (Brasil, 2009). b) Índice de Velocidade de Germinação (IVG): A determinação do índice de velocidade de germinação foi realizada em conjunto com teste padrão de germinação (Brasil, 2009) e o cálculo do Índice foi realizado segundo a metodologia proposta por Maguire (1962).Primeira contagem de germinação (1CG): avaliada juntamente com o teste de germinação, computando-se percentagem de plântulas normais, no quinto dia após a instalação do teste (Brasil 2009).d) Emergência (EM): Utilizadas para cada amostra, quatro subamostras de 50 sementes, por repetição na profundidade de semeadura padronizada para 3 cm para todas as repetições. A porcentagem de emergência em campo foi determinada aos 9 dias após a semeadura.e) Índice de velocidade de emergência (IVE): Foi realizada junto com a emegência e contabilizou o número de sementes emergidas por dia e o cálculo segundo Maguire (1962). f) Envelhecimento acelerado (EA): conduzido com quatro subamostras de 50 sementes por tratamento, estas foram distribuídas em camada única sobre tela de inox, fixadas no interior de caixas gerbox (11,0 cm x 11,0 cm x 3,0 cm), contendo 40 mL de água destilada no fundo. As caixas foram tampadas e mantidas na câmara de germinação tipo BOD por 72 horas, a temperatura de 45º C. Depois as sementes foram submetidas ao teste de germinação (Brasil, 2009).
Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste Scott & Knott a 5% de probabilidade, por meio do auxílio do programa estatístico AgroEstat.

Resultados e discussão

Os resultados que compõe o potencial germinativo de sementes de soja por meio da primeira contagem de germinação, germinação, índice de velocidade de germinação, envelhecimento acelerado, plântulas germinadas normais (PGN) e anormais (PGA) estão dispostos na Tabela 1.
Os tratamentos não obtiveram efeito na germinação o que corrobora com os resultados obtidos por Possenti (2010) com o trabalho avaliando potencial fisiológico e produtividade de sementes de soja com molibdênio via foliar e no tratamento de sementes, revelou que o molibdênio aplicado na semente no momento da semeadura, possibilitou valores de germinação similares para sementes não enriquecidas e enriquecidas com molibdênio. E também com Araújo (2017) que realizou teste com diversos bioestimulantes para avaliar a qualidade fisiológica de sementes de soja, e observou que nos tratamentos com Acadian não foi afetado a eficiência nas variáveis germinação.
A primeira contagem de germinação e índice de velocidade de germinação (tabela 2), tiveram resultados semelhantes, onde os tratamentos que tinham uma superdosagem de Potamol- T2, T4 e T6, foram inferiores aos que tinham a dosagem recomendada pelo fabricante T1, T3, T5 e testemunha. E isso vai de acordo com Pereira (2012) que testou a qualidade fisiológica de sementes de milho tratadas com molibdênio, e afirmou que é influenciada negativamente por doses crescentes de molibdênio. E isso é causado devido a um dano no embrião por altas concentrações de sal na semente. Em relação ao produto Acadian, houve diferenciação na primeira contagem onde o tratamento com superdosagem de Potamol somente (T2), obteve o pior resultado. Ou seja, Acadian influenciou uma melhora no resultado, independente da sua dosagem.
Os resultados de envelhecimento acelerado demonstraram que os tratamentos T1 e T5 foram encontrados valores superiores aos demais tratamentos. Portanto o vigor das sementes foi afetado quando estavam presentes os tratamentos com superdosagem de Potamol e também quando utilizado uma dose inferior que a necessária de Acadian. No tratamento T5 que se teve o melhor resultado de plantas germinadas pelo envelhecimento acelerado, obteve 76,5%, já no T7 que foi a pior média, atingiu apenas 47%, essa diferença chegando a 39% entre os dados avaliados.
Os demais tratamentos tiverem resultados inferiores T2, T4, T6 e T7, mantendo o mesmo padrão que tiveram em índice de primeira contagem, onde a superdosagem também prejudicou o desenvolvimento de plântulas normais. Porem ao analisar entre os tratamentos que foi utilizado uma superdosagem de Potamol, houve diferenciação estatística quando teve a presença do Acadian, aumentando em cerca de 27% quando foi utilizado esse produto. E corroborando com Mógor et al (2008) verificando que o extrato de alga (Ascophyllum nodosum) associados a aminoácidos e nutrientes são mais eficientes. Por isso T2 (880 mL de Potamol/100 kg-¹ de sementes) apresentou o pior desempenho.

Conclusões/Considerações Finais

Superdosagem de Potamol afeta o vigor das sementes de soja e o índice de velocidade de germinação e primeira contagem de germinação.
A utilização do Acadia no tratamento de sementes reduz os efeitos de superdosagem de Potamol em sementes de soja.

Referências Bibliográficas

INOUE, L. Cultura da soja: sua importância na atualidade. Disponível em: https://blog.agromove.com.br/cultura-soja-importancia-na-atualidade. Acesso em 15 de abril de 2021.
SCHOENINGER, V. et al. Tratamento de sementes. Revista Agronomic Sciences, Umuarama, v.3, n. especial, p. 63-73, 2014.
NETO, D. T. F. Extrato de Ascophyllum nodosum (L.) Le Jolis sob diferentes doses na cultura da soja. Disponível em: <https://uenp.edu.br/dissertacao-agronomia/10193-daniel-torres-fontes-neto/file. Acesso em 26 de março de 2021.>
HAMILTON, P.M. SOUZA, J.R.; MARTINS, M.; SÁ, J.M. Potencial germinativo de dementes de feijão comum tratadas com cobalto e molibdênio.Bioesfera, v.17 n.34, p.384-392,2020.
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ARAÚJO, C. E. C. Efeito de bioestimulante na qualidade fisiológica de sementes de soja. UFSJ: Sete Lagoas, p. 30- 31, 2017.
PEREIRA, F.R. da.SILVA.; BRACHTVOGEL, E.L.; CRUZ, S.C.S, SILVIO JOSÉ BICUDO, S.J.; MACHADO, C.G.; PEREIRA, J.C. Qualidade fisiológica de sementes de milho tratadas com molibdênio. Revista Brasileira de Sementes, vol. 34, nº 3 p. 450 - 456, 2012.
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Palavras Chave

Glycine max, qualidade fisiológica, tratamento de semente

Arquivos

Área

Grupo I: Produção Agrícola (Vegetal)

Instituições

UNIFAAHF - Bahia - Brasil

Autores

JOSE RAFAEL DE SOUZA, LUCAS AMÉLIO GATTO